08/12/2007

Quem sabe? Florbela Espanca

Queria tanto saber porque sou eu!
Quem me enjeitou neste caminho escuro?
Queria tanto saber porque seguro.
Nas minhas mãos o bem que não é meu!
Quem me dirá se, lá no alto, o céu.
Também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma, que morreu?
Queria encontrar Deus!
Tanto o procuro!
A estrada de Damasco, o meu caminho,O meu bordão de estrelas de ceguinho, água da fonte de que estou sedenta!
Quem sabe se este anseio de eternidade, a tropeçar na sombra, é a verdade, é já a mão de Deus que me acalenta?

Nenhum comentário: